HIV entre homossexuais: Porquê tantos infectados?

HIV entre homossexuais

 

O HIV constitui um problema particularmente preocupante entre homossexuais do sexo masculino. Ainda que a incidência seja alarmante em individuos de todos os sexos e orientações sexuais, a realidade é que é entre os gays que se manifesta a esmagadora maioria dos casos de infecção. Surpreendentemente, a taxa de prevalência do vírus HIV entre homossexuais é cerca de 20 vezes superior à dos heterossexuais, estimando-se que, só em Portugal, em torno de 10%  dos homens homossexuais estejam infectados. Este é um número absolutamente brutal e assustador, que indica que, qualquer homossexual que tenha por hábito trocar regularmente de parceiro sexual, muito possivelmente já entrou em contacto físico com alguém infectado com o vírus.

No decorrer dos últimos anos o problema tem vindo a agravar-se ainda mais, o que deve ser encarado como um importante sinal de alerta para a toda a comunidade gay. O facto de o número de infectados continuar a subir a um ritmo alarmante indica que uma boa percentagem da população homossexual não está a adoptar os devidos cuidados com a sua saúde.

Porquê tantos infectados com o HIV na comunidade gay?

Para saber como se proteger é importante que, antes de mais, compreenda o porquê desta disseminação extrema do HIV entre homens que praticam sexo com homens. Ao inteirar-se de todos estes factores, terá uma maior facilidade em compreender quais os principais comportamentos de risco que poderão comprometer a integridade da sua saúde.

Promiscuidade

É inegável que a vida sexual de um homossexual tende a ser muito mais activa, diversificada e desinibida do que a vida sexual de um hetero. Ao contrário daquilo que acontece entre a maioria dos heterossexuais, um homossexual tem imensa facilidade em encontrar parceiros sexuais dispostos a desfrutar de aventuras puramente cariais.

Os homens apresentam uma predisposição para o sexo casual muito mais elevada do que as mulheres, o que faz com que homens que procurem envolver-se sexualmente com individuos do mesmo sexo consigam, sem grandes problemas, encontrar rapidamente aquilo que procuram, coisa que para um heterossexual poderia revelar-se um verdadeiro obstáculo. Isto, muitas vezes, resulta num estilo de vida sexual totalmente desregrado e propício à disseminação de diversos tipos de infecções, uma vez que, o sexo regular com desconhecidos, a troca de parceiros e a actividade sexual em grupo são práticas muito comuns entre membros da comunidade gay. Logicamente, quanto mais regular for a troca de parceiros, maiores são as probabilidades de infecção, sendo este um dos principais factores responsáveis pelas elevadas taxas de incidência do HIV entre homossexuais.

Sexo anal

O sexo anal é uma prática altamente favorável à propagação de doenças. Sendo um orifício muito mais apertado e menos lubrificado do que uma vagina, o ânus aumenta dramaticamente o risco de fissuras, tanto no ânus em si quanto no pénis. Estas pequenas feridas funcionam como porta de entrada para o vírus, fazendo desta uma actividade sexual extremamente arriscada. Entre os homens homossexuais o sexo anal é prevalente, daí o vírus se propagar com tanta facilidade entre os membros da população homossexual. Segundo os dados existentes, as probabilidades de transmissão do vírus através de sexo anal são cerca de 18 vezes superiores à transmissão através de sexo vaginal.

Ausência de preservativo

Estudos têm vindo a demonstrar uma crescente tendência do abandono do preservativo entre homens homossexuais. A realidade é que, a nível geral, os homens não são propriamente fãs de preservativos. As mulheres tendem a demonstrar um maior nível de cautela com a saúde em geral, e em contactos heterossexuais, muitas vezes são elas que insistem na utilização do preservativo. Sem a presença de uma mulher para invocar o bom senso, os homens homossexuais tendem a negligenciar com muita frequência a importância da utilização de um preservativo, o que acaba por contribuir de forma bastante expressiva para a disseminação do vírus.

Algumas dicas importantes para a prevenção do HIV:

  • Utilize sempre preservativo. Não se deixe levar pela tentação do sexo desprotegido. Todos sabemos que é mais agradável, mas a realidade é que umas horas de prazer acentuado não compensam uma vida inteira de sofrimento.
  • Seja mais selectivo na escolha do seu parceiro. Enquanto homem homossexual, é muito fácil ligar-se a um chat ou classificado de encontros e encontrar exactamente o tipo de diversão que procura. Mas lembre-se que 1 em cada 10 homens que encontrar poderá estar infectado. Portanto, valerá mesmo a pena arriscar? Tente conhecer muito bem a pessoa antes de se envolver sexualmente com ela, e nunca prescinda da utilização de preservativo.
  • Tenha muita atenção à manutenção e manuseamento do seu preservativo. Durante o sexo anal as probabilidades de um preservativo rebentar são bastante significativas, portanto é importante certificar-se de que o mesmo se encontra em bom estado e dentro do devido prazo de validade. Adicionalmente, aprenda a colocar correctamente o preservativo de modo a reduzir drasticamente as probabilidades do mesmo rebentar.
  • Idealmente, deverá sempre utilizar lubrificantes à base de água, uma vez que são dos poucos que não comprometem a integridade do preservativo.
  • Faça exames regularmente de modo a garantir que não está infectado. Se todos os homens se testassem com frequência as taxas de incidência entre homossexuais seriam muito menores. Ao testar-se estará a proteger-se a si e aos outros.
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